Os erros mais comuns na aplicação de produtos antichamas

A aplicação de produtos antichamas é uma das medidas mais importantes da proteção passiva contra incêndio. Quando realizada corretamente, ela contribui para reduzir a propagação das chamas, aumentar o tempo de evacuação e auxiliar no atendimento de exigências relacionadas ao CMAR e ao AVCB.

No entanto, tão importante quanto escolher um bom produto é garantir que sua aplicação seja feita da forma adequada. Erros durante o processo podem comprometer o desempenho esperado e gerar uma falsa sensação de segurança.

Neste artigo, apresentamos os erros mais comuns na aplicação de soluções antichamas e por que eles devem ser evitados.


1. Utilizar produtos sem comprovação técnica

Um dos erros mais frequentes é escolher produtos apenas pelo preço ou por promessas comerciais, sem verificar se possuem ensaios, laudos ou certificações reconhecidas.

Em situações de incêndio, o desempenho real do produto é o que faz diferença.

Antes da contratação, é importante verificar:

  • ensaios laboratoriais
  • relatórios técnicos
  • certificações aplicáveis
  • histórico da empresa fornecedora

A segurança não deve ser baseada em suposições.


2. Aplicar o produto em quantidade insuficiente

Cada produto possui uma taxa de aplicação específica para atingir o desempenho esperado.

Quando a aplicação é feita abaixo da quantidade recomendada, o material pode não receber proteção suficiente.

Isso ocorre com frequência em tentativas de economizar produto ou acelerar o serviço.

O resultado é um tratamento incompleto e desempenho inferior ao previsto.


3. Ignorar as características do material

Nem todos os materiais possuem o mesmo comportamento.

Tecidos, madeira, fibras naturais, espumas e revestimentos exigem análises específicas antes da aplicação.

Um produto adequado para determinado substrato pode não apresentar o mesmo desempenho em outro.

Por isso, a avaliação técnica prévia é fundamental para definir a solução correta de ignifugação.


4. Aplicar sobre superfícies contaminadas

Poeira, gordura, resíduos químicos, vernizes deteriorados e sujeiras podem comprometer a absorção ou aderência do produto.

Quando isso acontece, a proteção pode ficar irregular.

A preparação adequada da superfície é uma etapa essencial para garantir eficiência e uniformidade.


5. Não realizar manutenção ou reavaliação periódica

Muitas pessoas acreditam que a aplicação antichamas dura para sempre.

Na prática, fatores como:

  • exposição ao sol
  • umidade
  • lavagem
  • abrasão
  • desgaste natural

podem afetar o desempenho ao longo do tempo.

Por isso, inspeções periódicas são recomendadas para verificar as condições do material tratado.


6. Não emitir ou guardar o laudo de ignifugação

A aplicação do produto é importante, mas a documentação também.

O laudo de ignifugação registra informações fundamentais sobre:

  • material tratado
  • área aplicada
  • produto utilizado
  • método de aplicação
  • responsabilidade técnica

Além de auxiliar na rastreabilidade, esse documento pode ser solicitado em auditorias, inspeções ou processos relacionados ao AVCB.


7. Acreditar que o produto torna o material incombustível

Esse é um dos maiores mitos do mercado.

Produtos antichamas não transformam materiais combustíveis em materiais incombustíveis.

O objetivo da ignifugação é reduzir a inflamabilidade e retardar a propagação das chamas.

Entender essa diferença é essencial para criar expectativas realistas e estratégias eficientes de segurança.


8. Considerar apenas a proteção ativa

Muitas empresas investem apenas em extintores, hidrantes e alarmes.

Esses sistemas são fundamentais, mas atuam quando o incêndio já começou.

A proteção passiva trabalha antes, reduzindo a velocidade de propagação do fogo e complementando os sistemas de combate.

Os melhores resultados acontecem quando proteção ativa e proteção passiva atuam juntas.


9. Não considerar exigências de CMAR

O Controle de Materiais de Acabamento e Revestimento (CMAR) avalia como determinados materiais se comportam diante do fogo.

Ignorar esses requisitos pode gerar problemas em projetos, inspeções e processos de regularização.

Materiais como tecidos, revestimentos decorativos, fibras naturais e madeira frequentemente exigem atenção especial.


10. Contratar empresas sem experiência comprovada

A qualidade da aplicação influencia diretamente o resultado final.

Empresas especializadas possuem conhecimento sobre:

  • comportamento dos materiais
  • métodos de aplicação
  • critérios normativos
  • documentação técnica
  • requisitos para AVCB

A escolha do fornecedor deve considerar experiência, credibilidade e capacidade técnica.


Segurança depende de produto, aplicação e conhecimento

A eficiência de uma solução antichamas não depende apenas da formulação química. O desempenho final está diretamente relacionado à escolha correta do produto, à qualidade da aplicação e ao acompanhamento técnico adequado.

Evitar esses erros significa aumentar a segurança das pessoas, proteger patrimônios e garantir que a proteção passiva cumpra sua função quando realmente for necessária.