Incêndio em pub de Bangkok deixa 27 mortos e reacende debate sobre proteção passiva em casas noturnas

O incêndio que atingiu o pub Na Ladprao, no distrito de Chatuchak, em Bangkok, na madrugada de segunda-feira (13/07), deixou ao menos 27 mortos e 18 feridos, oito deles em estado grave. As chamas começaram pouco antes da meia-noite e os bombeiros levaram cerca de meia hora para controlar o incêndio. As autoridades tailandesas ainda investigam a causa exata do sinistro.

Além da tragédia humana, o caso traz à tona um problema recorrente em ambientes de grande circulação de pessoas: a dificuldade de evacuação quando o espaço não foi projetado — ou tratado — pensando na segurança contra incêndio.


O que dificultou a evacuação?

Segundo o governador de Bangkok, Chadchart Sittipunt, uma inspeção preliminar identificou que a rota de fuga do estabelecimento estava obstruída por mesas e outros objetos decorativos. Os investigadores também vão analisar os materiais do teto do local, além de possíveis saídas de emergência bloqueadas.

Esse tipo de cenário não é isolado. Em 2022, um incêndio em um pub de música no leste da Tailândia matou 14 pessoas, e em 2009 o incêndio da boate Santika, em Bangkok, deixou 66 mortos e mais de 200 feridos.

Independentemente da causa inicial das chamas, um fator técnico se repete nesses casos: o comportamento dos materiais do ambiente diante do fogo.


Casas noturnas e bares reúnem fatores de risco

Bares, pubs e casas de show costumam combinar:

  • forro e teto em materiais combustíveis;
  • revestimentos de madeira e painéis decorativos;
  • estofados, cortinas e tecidos;
  • grande quantidade de pessoas em espaço fechado;
  • pouca ou nenhuma rota alternativa de fuga.

Essa combinação faz com que qualquer início de incêndio se espalhe rapidamente, reduzindo o tempo disponível para a evacuação.


O papel da proteção passiva contra incêndio

A proteção passiva atua antes mesmo que qualquer sistema de combate seja acionado.

Enquanto extintores, hidrantes e sprinklers fazem parte da proteção ativa, os tratamentos antichamas e a ignifugação retardam a propagação das chamas sobre materiais combustíveis, contribuindo para:

  • aumentar o tempo disponível para evacuação;
  • reduzir a velocidade de propagação do fogo;
  • facilitar a atuação dos bombeiros;
  • diminuir a geração de fumaça tóxica.

Nenhum tratamento elimina o risco de incêndio por completo, mas uma estratégia bem aplicada pode ser decisiva nos primeiros minutos de um sinistro — justamente quando mais vidas podem ser salvas.


CMAR, AVCB e documentação técnica

No Brasil, estabelecimentos com grande circulação de público — como bares, casas noturnas e casas de show — precisam atender critérios do CMAR (Controle de Materiais de Acabamento e Revestimento), que avalia o comportamento dos materiais diante do fogo.

A obtenção e a renovação do AVCB (Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros) também podem exigir a comprovação de tratamento ignifugante por meio de laudo técnico, demonstrando que os materiais do local foram devidamente tratados.


O que o setor pode aprender com esse incêndio?

O incêndio de Bangkok reforça uma lição que se repete em tragédias semelhantes ao redor do mundo: rotas de fuga desobstruídas e materiais tratados contra o fogo não são detalhes, mas sim fatores que podem definir o desfecho de um incêndio.

Investir em proteção passiva, aplicar produtos antichamas nos materiais do ambiente e manter a documentação técnica em dia são medidas essenciais para qualquer estabelecimento que recebe público.


Prevenir continua sendo a melhor estratégia

Grandes tragédias como a de Bangkok mostram que a segurança contra incêndio não pode depender apenas de equipamentos de combate às chamas.

Ela começa na escolha e no tratamento dos materiais, na manutenção das rotas de fuga e na adoção de soluções que retardem a propagação do fogo — especialmente em locais com grande concentração de pessoas, como bares e casas noturnas.